41 98853-1511

Ansiedade, Fatores de Risco e Práticas Parentais: Um Estudo de Caso

Ansiedade, Fatores de Risco e Práticas Parentais

No âmbito da formação em psicologia, uma das experiências práticas fundamentais que permeiam o percurso acadêmico é o estágio supervisionado em clínica-escola, onde os estudantes realizam seus primeiros atendimentos sob a égide das diretrizes estabelecidas pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP). Neste contexto, o presente estudo propõe-se a relatar um processo psicoterapêutico que compreendeu 17 sessões, fundamentado nos princípios da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

O objetivo é ilustrar a evolução do quadro clínico de um paciente, bem como as reflexões e indagações do terapeuta em formação, devidamente orientado por supervisão clínica.

A demanda inicial apresentada referia-se ao paciente, Sr. J., de 29 anos, cujos dados de identificação pessoal são fictícios para preservar sua privacidade. Inicialmente, sua busca por atendimento clínico estava centrada em queixas de ansiedade e insônia, as quais impactavam negativamente seu bem-estar cotidiano.

Durante o primeiro contato, após o acolhimento e a psicoeducação sobre o funcionamento do processo terapêutico, outras metas foram identificadas. Entre elas, destacavam-se sentimentos intensos e frequentes de culpa, sensações de abandono, uma autonomia reduzida na identificação e tomada de decisões, e uma complexa relação com seus pais, inicialmente caracterizada por um pai percebido como rigoroso e uma mãe com práticas de supervisão consideradas relaxadas.

Ao longo do processo terapêutico, com o desenrolar das sessões, observou-se que a ansiedade do Sr. J. poderia estar associada a um conjunto de causas de natureza interna, e não necessariamente a um transtorno mental específico. Sua ansiedade parecia ter um caráter situacional, decorrente de dificuldades em manejar conflitos e da preferência por comportamentos de evitação, além de uma inibição na expressão verbal, configurando uma forma de repressão emocional.

Metodologia

O paciente foi acompanhado em um total de 17 sessões realizadas em uma clínica-escola, vinculada à Universidade Campos de Andrade. As sessões ocorreram com periodicidade semanal. Após a fase inicial de acolhimento, foram estabelecidas metas terapêuticas e estruturados os conteúdos a serem abordados. É imperativo ressaltar que todo o caso foi conduzido sob acompanhamento e orientação de supervisão clínica, conforme as melhores práticas acadêmicas e éticas.

Revisão Teórica e Conteúdo Prático

Primeira Sessão

Com base nos dados preliminares coletados no encontro inicial, uma reflexão e hipótese diagnóstica inicial foram formuladas acerca da influência dos estilos de práticas parentais na formação do indivíduo adulto. Nesse sentido, a obra de Jeffrey Young (1950), em colaboração com Janet S. Klosko e Marjorie E. Weishaar, intitulada “Terapia dos Esquemas” (publicada no Brasil pela editora Artmed, 2003), oferece um arcabouço teórico relevante.

Os autores não apenas estabelecem a correlação entre os estilos de cuidado parental e o desenvolvimento do sujeito, mas também discorrem sobre a formação de padrões de necessidades básicas, denominados esquemas, que podem se manifestar de maneiras adaptativas ou desadaptativas em relação à realidade externa.

A partir dessa análise inicial e dos relatos do Sr. J., uma primeira interpretação sugeriu que seus conflitos relacionados à baixa autonomia, a natureza de algumas de suas dificuldades emocionais e a dinâmica de sua relação com os pais poderiam ter sua gênese em um conjunto de práticas parentais vivenciadas durante seu desenvolvimento. Segundo Young et al. (2003), os modelos de práticas parentais são categorizados em cinco domínios. Os sentimentos de abandono, por exemplo, são frequentemente associados ao domínio de privação/frustração de necessidades, indicando um déficit na compreensão, afeto ou estabilidade emocional.

Segunda e Terceira Sessões

Inicialmente, por meio da realização de uma entrevista de anamnese aprofundada, foi possível conceituar de forma mais precisa como o Sr. J. percebia sua ansiedade, além de identificar outros padrões comportamentais relevantes que poderiam estar associados ao estilo de práticas parentais vivenciadas em seu desenvolvimento. Com a coleta de dados, o discurso do paciente passou a descrever sua mãe como controladora, adicionando a observação:

“não gosto de ser comparado” (SIC).

Seu pai, além de ser caracterizado como uma figura rigorosa, tinha o hábito de atribuir a culpa dos erros ao filho, enquanto os méritos eram reservados a si. Dentro dessa dinâmica familiar descrita pelo paciente, e pela observação de seus relatos, foi possível notar um comportamento voltado a agradar ao próximo, uma tendência a direcionar suas próprias escolhas ou responsabilidades para o outro, o que se refletia em uma baixa permanência em empregos e dificuldades em estabelecer relacionamentos amorosos saudáveis.

Conforme Baumrind (1966), pais com estilo autoritário tendem a ser rígidos, enfatizando a obediência e o respeito, e podem recorrer à punição física quando os limites são transgredidos. Nesse contexto, os sentimentos e a autonomia da criança são frequentemente desconsiderados, pois os genitores não aceitam questionamentos. Essa deficiência no desenvolvimento da autonomia pode levar o sujeito adulto a apresentar dificuldades em estabelecer comunicações assertivas e em reconhecer suas próprias necessidades e emoções, o que, utilizando a obra de Jeffrey Young (2003) como referência, pode ser definido como um domínio de limite prejudicado.

Em relação à ansiedade do Sr. J., foi possível analisar que ela emergia por meio de pensamentos automáticos que o paciente nutria sobre si, como “se sentir fracassado” e “se sentir inútil”, os quais surgiam com frequência em sua mente. Nesse período, o cliente havia recentemente iniciado um novo emprego e estava em fase de adaptação e treinamento. Assim, seu receio de cometer erros no ambiente profissional desencadeava esses pensamentos, o que pode estar associado a uma baixa autoestima ou a um conjunto de crenças negativas sobre sua própria capacidade. Esse conceito é compreendido na TCC pela premissa de que:

“não é a situação em si que determina as emoções do sujeito, mas sim a maneira como elas são interpretadas.” (Beck, 2013, p. 51).

Dessa forma, entende-se que os pensamentos automáticos do Sr. J. geravam a ansiedade situacional e inseguranças no ambiente de trabalho, as quais se prolongavam, principalmente, durante o período noturno, resultando no sintoma de insônia.

Quarta a Nona Sessões

Durante este período terapêutico, os principais temas abordados foram os relacionamentos amorosos do paciente, sua ansiedade e, de forma mais contextualizada, sua relação com os pais. O Sr. J. descreveu suas experiências amorosas como

“relacionamentos relâmpagos” (SIC)

, afirmando sempre doar mais do que recebia e iniciar relacionamentos já com a premonição de seu término, além de apresentar uma visão negativa, definida por ele como

“decepção após decepção” (SIC)

. Adicionalmente, relatou ter vivenciado um processo de abuso físico e psicológico em seu último relacionamento, uma experiência que compartilhou apenas com dois amigos próximos, mas que se tornou alvo de piadas externas devido ao fato de ter sofrido agressão por parte de uma mulher. Este evento gerou um bloqueio significativo sobre o assunto, sendo a terapia o único espaço onde conseguiu discorrer sobre ele. Nesse sentido, ao retomar os modelos de esquemas disfuncionais, é possível compreender essa dinâmica relacional como:

Este tipo de comportamento pode estar associado ao domínio de desconexão/rejeição, mais especificamente no campo de abandono/instabilidade, onde o sujeito apresenta comportamentos de desconfiança em suas relações, crenças de que pode ser abandonado a qualquer momento e geralmente suas relações são instáveis e apresentam certo predomínio de desconfiança. (Young et al., 2003, p. 28)

Essa hipótese é ainda mais reforçada pela descrição do paciente, Sr. J., de que possuía a crença associada de que, após seus términos, a pessoa sempre encontrava outro parceiro rapidamente. Outra possível hipótese é a de que, devido aos seus sentimentos de abandono, para evitar sentir ou lidar com esse gatilho emocional, o cliente se autossabota ou sabota sua parceira amorosa, com o intuito de provocar o término e, assim, não precisar entrar em contato com essa emoção. Com base na Terapia dos Esquemas, que pontua como

“exemplos de resignação do abandono/instabilidade: escolhe parceiros com os quais não consegue estabelecer compromisso e se mantém no relacionamento” (Young et al., 2008, p. 49)

, articulando a literatura com os relatos do Sr. J., suas escolhas de relacionamentos amorosos eram frequentemente marcadas por inícios disfuncionais, acompanhados de grande intensidade emocional no começo, mas que, após pouco tempo, evoluíam para uma fase de conflitos, chegando até mesmo a situações de abuso psicológico e físico em um desses namoros. Geralmente, suas trocas de parceiras ocorriam de maneira rápida, com poucos meses de duração entre uma relação e outra. O paciente também relatou posicionar-se como cuidador, devido à escolha repetitiva de parceiras que estavam passando por fases difíceis e de esgotamento mental, doando-se mais do que recebia.

Ao abordar a intersecção entre relações amorosas e práticas parentais, o entendimento pode ser estabelecido, segundo Granja e Mota (2018), que

“essas duas instâncias estabelecem relação quanto aos estilos de vinculações na vida adulta, ocorrendo por dois fatores: exigência e responsividade”

. Dessa forma, foi possível também analisar uma distorção cognitiva de rotulação por parte do paciente acerca da imagem feminina, manifestando o pensamento automático de que

“mulher é uma desgraça” (SIC)

. Para Judith Beck (2013, p. 203),

“a distorção cognitiva do tipo de rotulação ocorre quando o indivíduo atribui a si ou ao outro, um rótulo fixo ao qual ele não considera outras evidências, mas acredita nisso como um todo”

. Assim, é compreensível que o caso do Sr. J. envolva uma crença rígida, que se mantém em sua vida, podendo levá-lo a um padrão de busca por relacionamentos disfuncionais a fim de reforçar essa crença, atendendo, assim, ao condicionamento do Esquema Disfuncional de Abandono. Nesses casos, o indivíduo pode optar por fugir de laços amorosos, sendo necessária uma forte aliança terapêutica para trabalhar essa distorção cognitiva. Sobre o entendimento de relacionamentos saudáveis, Gomes e Sá (2021) afirmam que

“Ao falar sobre as relações amorosas saudáveis se estabelece a ideia de alguns domínios como: consulta ao parceiro(a) ao tomar decisões, capacidade de lidar com conflitos, boas habilidades de comunicação e se apoiar em valores como equidade, respeito, compreensão e confiança.”

Ao analisar o quadro sintomático de ansiedade relatado pelo Sr. J., percebe-se uma relação entre uma vulnerabilidade mental e psicológica associada aos seus estilos de práticas parentais e a fatores de risco. O paciente relatou que, no ano de 2018, vivenciou

“crises de surto” (SIC)

, eventos inéditos para ele, que ocorreram em decorrência de uma série de acontecimentos naquele ano, descritos como: o falecimento de seu primo, a perda da renda paterna, endividamento, o término de um relacionamento, o início de sua função como cuidador de uma parente próxima com transtornos mentais e o óbito de seu tio, ocorrido no ano seguinte.

O paciente associou o desenvolvimento dos sintomas de ansiedade a esses eventos, manifestando-se por meio de pensamentos negativos sobre si. Dessa forma, a ansiedade é compreendida como multifatorial, tendo origem em uma série de fatores de diferentes naturezas. Segundo o modelo cognitivo, Clark e Beck (2012) postulam que os indivíduos tendem a superestimar situações de perigo, realizando uma avaliação de riscos onde subestimam a realidade e suas próprias capacidades de enfrentamento.

Décima a Décima Sexta Sessões

Neste período, duas novas demandas emergentes surgiram no processo terapêutico: a dificuldade do paciente em lidar com um conflito gerado em seu ambiente religioso, onde se sentia incomodado pela presença de algumas pessoas, e uma inquietação pela falta de sucesso em conseguir emprego em sua área de formação, a enfermagem.

No que tange aos conflitos relacionados ao seu espaço de espiritualidade, um fator de destaque era a presença de uma amiga no mesmo ambiente, uma figura de grande importância para o paciente, mas com quem ambos estavam afastados no momento. Sua amiga, aqui denominada Sr(a). S., foi quem o introduziu à sua nova religião e o auxiliou a processar os conflitos decorrentes de seu último relacionamento amoroso. Diante disso, o Sr. J. expressava o desejo de se afastar ou mudar de local, por não se sentir bem, mas, ao mesmo tempo, não conseguia dialogar com seu líder religioso, sustentado pelo pensamento automático de que

“estaria sendo uma pessoa ingrata” (SIC)

.

Durante as sessões, o paciente foi confrontado sobre a ansiedade experimentada em relação aos eventos atuais, com o uso de perguntas objetivas e técnicas, que o levaram a refletir sobre suas crenças por meio do questionamento socrático. Santos e Medeiros (2017, p. 4) pontuam que

“a técnica de questionamento socrático possui como objetivo modificar crenças e pensamentos disfuncionais, de maneira a levar o indivíduo a uma reflexão de si”

.

Houve duas ausências em sessões, especificamente na décima segunda e décima quarta. Nesse intervalo, o Sr. J. havia tentado conversar com sua amiga, mas sem sucesso no contato, descobrindo também que ela faria uma viagem internacional devido a uma proposta de emprego. Ao tomar conhecimento, ele considerou despedir-se, enviou uma mensagem, mas simultaneamente arquivou as conversas para evitar visualizar a resposta. Também faltou aos encontros espirituais durante a semana, retornando apenas após a partida dela. Dias depois, ao verificar as mensagens, percebeu que ela havia respondido de maneira positiva.

Com os eventos relacionados à partida de sua amiga do país, o paciente trouxe a necessidade de se afastar temporariamente de sua religião. No entanto, estava em dúvida, pois considerava a fé uma das coisas mais importantes em sua vida e expressava dificuldade em ter uma conversa com seu líder religioso.

Diante disso, por meio do questionamento socrático e da ressignificação do processo de exposição de suas emoções de maneira assertiva, articulando seus pontos de vista e abrindo-se para ouvir o outro lado, o paciente conseguiu ter a conversa com seu líder, a qual transcorreu de forma saudável. Isso lhe permitiu compreender melhor suas emoções e como a situação o estava afetando.

Outra conclusão percebida em terapia foi que seu desejo de se afastar estava ligado a um sentimento de abandono, vivenciado pela ausência de sua amiga, Sr(a). S. Desse modo, ao realizar a confrontação com o paciente durante a sessão e promover a psicoeducação sobre este comportamento, ele conseguiu perceber que seu sentimento de querer deixar o local estava relacionado à perda de uma figura importante, sua amiga, devido à identificação do esquema de abandono. Após esse entendimento, sua decisão foi a de permanecer no espaço religioso.

Outra demanda trabalhada com o Sr. J. foi sua necessidade de conseguir um emprego em sua área de formação, a enfermagem. Inicialmente, o paciente levantou um debate sobre a difícil inserção no mercado de trabalho, atribuindo-a como uma consequência da Pandemia de Covid-19. Seu discurso evidenciava o cenário pós-pandemia, caracterizado pela redução de empregos e um número mais restrito de vagas em hospitais.

Diante desse evento, seu comportamento inicial foi o de procurar ex-colegas de faculdade que enfrentavam a mesma dificuldade. Contudo, com o uso da técnica de questionamento socrático sobre como enfrentar essa situação e quais seriam suas alternativas, o paciente compreendeu que precisava buscar outros meios para lidar com isso. Assim, procurou ajuda profissional para elaborar um currículo eficaz e entrou em contato com professores da faculdade. A partir dessas ações proativas, conseguiu um emprego na área.

Décima Sétima Sessão

Devido às férias previstas no calendário acadêmico, foi realizado o processo de devolutiva e prevenção de recaída. Judith Beck (2013) define essa etapa do processo terapêutico como uma preparação para que os pacientes consigam lidar de forma autônoma com suas demandas, por meio da revisão do que foi aprendido em terapia, desde o traçado de estratégias para combater a remissão de sintomas até a preparação do paciente caso retorne a algo que já foi trabalhado.

De modo geral, foi percebida uma melhora significativa em seu processo de enfrentamento de conflitos, com um posicionamento mais assertivo e a ausência de insônia. O paciente relatou conseguir responder a seus pensamentos automáticos de forma autônoma, utilizando as técnicas aprendidas em sessão, como o teste de realidade e a respiração diafragmática.

Em relação à sua relação com os pais, convém um maior aprofundamento, pois, devido à natureza e complexidade da demanda, uma forte aliança terapêutica é necessária para sua exploração. O mesmo se aplica às questões de relacionamento afetivo, cujas demandas podem possuir uma forte interligação com as dinâmicas familiares primárias.

Discussão

Ao analisar a construção do caso do Sr. J., a hipótese diagnóstica sugere que determinados modelos de práticas parentais adotados por seus genitores tiveram como consequência, em sua vida adulta, o desenvolvimento de sentimentos de abandono, dificuldades em reconhecer emoções e necessidades pessoais, e uma acentuada necessidade de aprovação. Essas questões podem reverberar em sua cognição, manifestando-se como um receio de julgamento, dificuldade na elaboração e tomada de decisões importantes, e uma tendência à esquiva de pessoas significativas em relacionamentos, onde as interações já se iniciam com uma predisposição mental para o desfecho. Essa dinâmica também pode ser observada no âmbito profissional, visto que sua média de permanência em empregos era de aproximadamente 8 meses, um período relativamente curto, o que pode indicar instabilidade em ambos os aspectos da vida.

Os esquemas disfuncionais de rejeição e abandono, que se enquadram no domínio de limites prejudicados, atrelados à sua dificuldade em lidar com conflitos, podem estar relacionados a um conjunto de comportamentos de repressão emocional. Nesses casos, o paciente frequentemente não estabelece limites ou se posiciona de forma assertiva, gerando prejuízos na comunicação eficaz. Em conjunto a isso, foram analisadas dificuldades em reconhecer as próprias necessidades e comportamentos de esquiva ao lidar com situações que extrapolam sua zona de conforto, o que demanda uma atenção às suas habilidades sociais, as quais podem ser trabalhadas terapeuticamente.

Contudo, devido à identificação de que estes esquemas disfuncionais têm sua origem no processo de desenvolvimento do paciente, por meio de práticas parentais percebidas como negativas, torna-se imperativa uma forte aliança terapêutica para o tratamento dessas demandas, as quais são classificadas como objetivos de longo prazo.

Sua ansiedade e insônia podem ter uma ligação direta com os eventos vivenciados em 2018, que incluíram processos de luto, o término de um relacionamento, questões financeiras e a nova fase como cuidador de um parente. O paciente passou por diversas eventualidades que o expuseram repentinamente a um estresse significativo, o qual, de modo prolongado, pode contribuir para o surgimento de ansiedade, bem como outras repercussões psíquicas.

Resultado e Conclusão

Com os resultados obtidos, conclui-se que a forte aliança terapêutica constitui um componente vital na Terapia Cognitivo-Comportamental. A aderência do Sr. J. ao tratamento foi um fator essencial para seu progresso, especialmente considerando a natureza de suas demandas, como a relação com os pais, que corresponde aos vínculos primários de seu desenvolvimento. Ao final das 17 sessões, foi possível observar que, apesar de apresentar dificuldades iniciais em lidar com conflitos, o paciente aceitou bem as intervenções do terapeuta, o que resultou em ganhos significativos ao se posicionar de maneira diferente no mercado de trabalho.

Além da compreensão da origem de como cada sintoma surge no indivíduo, as técnicas comportamentais e cognitivas apresentadas visam capacitar o paciente a pensar de maneira mais saudável, ajustando assim seus pensamentos automáticos e crenças disfuncionais. Embora algumas questões ainda permaneçam em aberto, necessitando de uma exploração mais aprofundada dos modelos de esquemas disfuncionais, neste primeiro momento, suas evoluções foram notáveis no quadro de ansiedade, insônia e na gestão de conflitos. Todo esse progresso foi viabilizado pelo processo de reestruturação cognitiva, que ocorreu por meio da modificação de crenças e pensamentos disfuncionais, e pela adaptação a um modelo de pensamento mais saudável e ajustado à realidade.

Os resultados alcançados incluem uma melhora no processo de autoconhecimento, diminuição das cognições de imagem negativa voltada a si, ausência do quadro de insônia, desenvolvimento de estratégias saudáveis na busca de emprego e na gestão do conflito no ambiente religioso, e o estabelecimento de confiabilidade no terapeuta para abordar assuntos que antes estavam reprimidos, como o abuso sofrido.

Algumas recomendações para a continuidade do caso seriam: dar seguimento às questões relacionadas à ansiedade, com foco principal no presente; trabalhar o autoconhecimento no sentido de uma introspecção mais profunda; e aprofundar as questões pertinentes à sua relação com os pais, aos relacionamentos afetivos e à associação com o abandono.

Apoio Profissional Especializado

Para análise detalhada ou suporte clínico sobre Ansiedade, fatores de risco e práticas parentais: um caso de clínica escola, consulte nossos especialistas.

Referências

  • Barletta, Janaína Bianca, Fonseca, Ana Lucia Barreto da, & Delabrida, Zenith Nara Costa. (2012). A importância da supervisão de estágio clínico para o desenvolvimento de competências em terapia cognitivo-comportamental. Psicologia: teoria e prática, 14(3), 153-167. Recuperado em 15 de outubro de 2023, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-36872012000300013&lng=pt&tlng=pt.
  • Baumrind, D. (1966). Effects of authoritative parental control on child behavior. Child development, 887-907.
  • BECK, Judith S. (2013). Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 2 Porto Alegre: Artmed.
  • CASTILLO, Ana Regina G.L; RECONDO, Rogeria; ASBAHR, Fernando; MANFRO, Gisele (2000) G.Revista Brasileira de Psiquiatria;sup.2(22): 20-23, https://doi.org/10.1590/S1516-44462000000600006
  • CLARK, D. A.; BECK, A. T. (2012) Terapia Cognitiva para Transtornos de Ansiedade – guia do terapeuta. Trad. Maria Cristina Monteiro. Porto Alegre: Artmed.
  • Gomes, Loyane Ellen Silva, & Sá, Lucas Guimarães Cardoso de. (2021). Quais são as relações entre esquemas iniciais desadaptativos, habilidades sociais e satisfação conjugal?. Pensando familias, 25(2), 65-80. Recuperado em 15 de outubro de 2023, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-494X2021000200006&lng=pt&tlng=pt.
  • GRANJA, Maria Bárbara; PINHEIRO, Mota Catarina (2018). Estilos parentais e vinculação amorosa: efeito mediador do bem-estar psicológico em jovens adultos. Av. Psicol. Latinoam., Bogotá , v. 36, n. 1, p. 93-109.
    Available from http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1794-47242018000100093&lng=em&nrm=isso. Access On 30 Mar. 2023. https://doi.org/10.12804/revistas.urosario.edu.co/apl/a.5584
  • Santos, C. E. M. dos, & Medeiros, F. de A. (2017). A relevância da técnica de questionamento socrático na prática Cognitivo-Comportamental. ARCHIVES OF HEALTH INVESTIGATION, 6(5). https://doi.org/10.21270/archi.v6i5.1940
  • YOUNG, J.E. (1950/2003). Terapia cognitiva para transtornos da personalidade: Uma abordagem focada em esquemas. 3ª ed., Porto Alegre, ArtMed, 88 p.